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Procuradora Melícia Carvalho Mesel fala sobre a atuação do MPT na prevenção e no combate ao assédio e outras violências no trabalho durante palestra em Caruaru

A procuradora do Trabalho Melícia Carvalho Mesel, coordenadora regional da Coordenadoria de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Pernambuco, participou, na tarde da última terça-feira (29), de uma tarde de palestras com o tema “Assédio moral e outras formas de violência psíquica no ambiente laboral”, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Subseção Caruaru, em parceria com o Programa Trabalho Seguro, do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6). A atividade, alusiva ao Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, ocorreu no auditório da sede da OAB Caruaru.

O evento contou com a palestras da procuradora do Trabalho Melícia de Carvalho Mesel, da desembargadora Carmen Lúcia Vieira do Nascimento, da psicóloga Laura Pedrosa Caldas e da juíza do Trabalho Márcia de Windsor Nogueira. Foto: Juan Rodrigues
O evento contou com a palestras da procuradora do Trabalho Melícia de Carvalho Mesel, da desembargadora Carmen Lúcia Vieira do Nascimento, da psicóloga Laura Pedrosa Caldas e da juíza do Trabalho Márcia de Windsor Nogueira. Foto: Juan Rodrigues

Na ocasião, a procuradora falou sobre a “Atuação do MPT no combate ao assédio e à violência no trabalho”, tanto no aspecto repressivo quanto no que ela considera mais importante: o aspecto preventivo. Iniciou com uma abordagem conceitual do fenômeno, a partir da obra da psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen e dos estudos da médica do trabalho brasileira Margarida Barreto. Em seguida, destacou as inovações trazidas pela Convenção 190 da OIT e como o tema tem sido tratado pela legislação brasileira, incluindo a recente lei que tipificou os crimes de assédio e cyberbullying no Código Penal, sobre os quais fez críticas, já que ainda preveem a sistematicidade e a intencionalidade — elementos que, segundo ela, foram excluídos para a configuração da conduta pela Convenção 190.

Na sequência, a procuradora citou exemplos de condutas que configuram assédio moral, formas de comprovação da prática e as formas de prevenção do que ela chamou de “mal irreparável”. Ela também explicou como a vítima pode, assim que perceber o assédio, adotar medidas para fazer o assediador parar, destacando a importância da solidariedade entre as pessoas no ambiente laboral como forma não apenas de amparar a vítima, mas também de frear o agressor.

Procuradora do Trabalho Melícia de Carvalho Mesel durante apresentação sobre a atuação do MPT no enfrentamento ao assédio e à violência no trabalho. Foto: Juan Rodrigues
Procuradora do Trabalho Melícia de Carvalho Mesel durante apresentação sobre a atuação do MPT no enfrentamento ao assédio e à violência no trabalho. Foto: Juan Rodrigues

Em dado momento, a procuradora enfatizou: “Temos escutado com frequência dizerem que os trabalhadores estão banalizando o assédio nas muitas denúncias feitas e ações ajuizadas. Mas o que não podemos admitir é a banalização do mal. Vivemos uma epidemia de ansiedade e depressão, consideradas pela ONU como males do século, com episódios de suicídio causados por essas violências que acontecem no trabalho. Observo, igualmente, uma crise ética e moral que propicia esse tipo de conduta violenta, à medida que o assédio é, antes de qualquer coisa, uma conduta antiética, imoral, abusiva. Outro fator preocupante é ver a falta de empatia, a insensibilidade e até mesmo uma certa invisibilidade entre as pessoas, favorecendo, assim, as investidas do assediador sobre a vítima. Devemos, pois, estar atentos e nos preocupar com a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores, porque um caso de assédio contamina todo o ambiente laboral, adoecendo-o”. E concluiu dizendo: “O trabalho sempre foi pensado como fonte de realização e felicidade das pessoas. Não podemos deixar que ele seja lugar de sofrimento.”

Participantes do evento reunidos ao final da programação em Caruaru, em iniciativa alusiva ao Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho. Foto: Juan Rodrigues
Participantes do evento reunidos ao final da programação em Caruaru, em iniciativa alusiva ao Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho. Foto: Juan Rodrigues

O evento contou com a participação de advogados, estudantes, magistrados, membros do Ministério Público, psicólogos e servidores públicos. A iniciativa, que teve apoio da Escola Judicial do TRT6 (Ejud-6), do Subcomitê de Saúde do TRT6 e do Grupo Interinstitucional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Getrin 6) e integra a proposta de interiorização do Programa Trabalho Seguro.