Audiência pública do MPT em Pernambuco discute diversidade e inclusão nas empresas
Empresas do setor hoteleiro da capital e do litoral pernambucanos se comprometeram, no dia 26 de junho, a fortalecer a inclusão de trabalhadores LGBTQIAPN+ em seus quadros funcionais. O compromisso foi firmado em audiência pública conduzida pela Procuradora do Trabalho Melícia Carvalho Mesel, Coordenadora Regional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (COORDIGUALDADE/MPT), que contou também com a participação do Gerente Nacional de Empregabilidade LGBTQIAPN+ do MPT, o Procurador Regional do Trabalho Eduardo Varandas.
Com foco na promoção dos direitos humanos e na diversidade no ambiente corporativo, a audiência teve como objetivo sensibilizar empresas para a importância de implementar políticas efetivas de inclusão. A proposta também visa a articular parcerias com organizações da sociedade civil que atuam no acolhimento e na defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+.
Durante sua fala, Melícia Carvalho Mesel destacou a diversidade sociocultural brasileira em contraponto com a baixa representatividade da nossa população nos ambientes de trabalho, especialmente no setor turístico. “A reversão desse cenário exige o compromisso sério das empresas com políticas inclusivas que garantam ambientes seguros e acolhedores, especialmente para as pessoas trans, as mais relegadas da sigla”, afirmou.
Ainda segundo a Procuradora, além de cumprir a função social e humanitária, a presença da diversidade nas empresas traz impactos econômicos positivos para os negócios. “Se o Brasil é um dos países com maior potencial turístico do mundo e se a diversidade é parte essencial da nossa riqueza, por que não acolher essa pluralidade também nas relações de trabalho? As empresas têm muito a ganhar com isso, inclusive fidelizando um público consumidor que se reconhecerá nesses trabalhadores”, reforçou.
Já o Procurador Regional do Trabalho Eduardo Varandas ressaltou a importância de garantir direitos fundamentais no ambiente laboral, como a livre expressão da identidade de gênero. “É fundamental assegurar, por exemplo, o direito de pessoas trans utilizarem o banheiro correspondente ao seu gênero. Essa questão vai além da identidade: trata-se de saúde”, pontuou. Na ocasião, Eduardo Varandas relatou casos de trabalhadoras trans que enfrentam problemas de saúde recorrentes, por receio ou impedimento de utilizar o banheiro no local de trabalho. “Negar esse direito impacta diretamente na dignidade e no bem-estar da pessoa trabalhadora”, completou.
A audiência contou com a presença de representantes de grandes empresas do setor hoteleiro da Região Metropolitana do Recife (RMR) e do Litoral Sul. A AMOTRANS — Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco também compareceu ao evento.
Ao final, os Procuradores incentivaram a articulação direta entre as empresas e os movimentos representativos daquela população como estratégia para o avanço da inclusão no trabalho, bem como recomendaram a criação de um programa permanente de capacitação e sensibilização nas empresas, com calendário anual de ações conduzidas por especialistas nos temas da diversidade e inclusão, além de outros voltados à garantia de um ambiente laboral plural, seguro, saudável e digno.